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Contexto & Dados

O retrato da realidade

Dados sobre a participação feminina em tecnologia, liderança e no setor público — para entender o que precisa mudar e por que isso importa agora.

19%
das profissionais de tecnologia no Brasil são mulheres — Brasscom, 2023
12%
ocupam cargos de liderança em TI no setor público — OCDE, 2022
mais chances de abandonar carreiras em tecnologia em relação aos homens
68%
relatam já ter sofrido discriminação de gênero em ambientes tech
83% vs 39%
das mulheres negras na área relatam sintomas severos da Síndrome do Impostor — contra 39% das mulheres brancas. As opressões não são isoladas: se somam.

Esses números não são acaso. São estrutura.

A ausência histórica de mulheres nos espaços de comando não decorre de falta de qualificação.

São barreiras estruturais, informais e simbólicas que impedem sua ascensão. Barreiras invisíveis. Construídas ao longo de décadas. Naturalizadas. Mas não naturais.

01 — O Efeito Matilda (Apagamento Histórico)
A crença de que tecnologia é "coisa de homem" é uma construção social recente. Historicamente, as contribuições femininas foram invisibilizadas ou atribuídas a homens — o chamado Efeito Matilda. A primeira programadora do mundo foi uma mulher (Ada Lovelace), e o primeiro computador eletrônico (ENIAC) foi programado por um grupo de mulheres, cujos feitos foram tratados como triviais e esquecidos por décadas.
02 — O Degrau Quebrado e o Teto de Vidro
A escassez de lideranças femininas começa na base. As poucas que conseguem avançar nos degraus técnicos esbarram no Teto de Vidro — uma barreira sutil e transparente, mas impenetrável o suficiente para impedir a ascensão aos níveis de alto comando e tomada de decisão estratégica.
03 — Síndrome do Impostor com Recorte de Raça
A falta de representatividade e a cultura machista (bro culture) fazem com que as mulheres duvidem de sua própria capacidade. A Síndrome do Impostor afeta 83% das mulheres negras na TI, contra 39% das mulheres brancas — reflexo das opressões cumulativas e do apagamento institucional.
04 — A Segregação Interna na TI
Mesmo quando conseguem entrar no setor, as mulheres enfrentam um padrão de segregação. São frequentemente direcionadas a cargos vistos como "mais colaborativos" — Design de Produto, UX/UI — enquanto a participação cai drasticamente nos campos mais técnicos e estratégicos, como Engenharia de IA e Cloud Computing. Essa divisão limita a trajetória de carreira e o poder de decisão sobre como a tecnologia do futuro está sendo programada.
05 — A Penalidade da Maternidade e a Economia do Cuidado
As barreiras não estão apenas no escritório. A responsabilidade histórica pelo trabalho de cuidado não remunerado recai sobre as mulheres. Profissionais de tecnologia relatam quedas de 50% ou mais em sua produção devido às demandas exclusivas da maternidade. A falta de estruturas de apoio — espaços kids, locais para amamentação — afasta mulheres de eventos de qualificação e networking, perpetuando o ciclo de exclusão.

A desigualdade não atinge todas as mulheres da mesma forma. Os impactos na renda e nas oportunidades são cumulativos.

38%
menor é o rendimento médio de mulheres negras em relação a mulheres brancas no Brasil — IBGE, 2023
R$2k
de diferença mensal entre o rendimento de homens brancos e de mulheres negras no Brasil — IBGE, 2023

Falar de letramento digital e ocupação de espaços de poder exige, obrigatoriamente, um olhar interseccional.

O letramento digital e a ocupação de espaços de decisão por mulheres tornaram-se Política de Estado — Agenda Transversal Mulheres, PPA 2024–2027.

90%
da população acredita que mais mulheres tornariam o serviço público melhor — Datafolha, 2022
71%
teriam mais confiança no Estado se as lideranças se parecessem com elas — Datafolha, 2022

"A transformação digital no serviço público não começa com um edital. Começa com a autoria feminina."

O momento é agora. A oportunidade é histórica.

Referências e Base Teórica
  • Brasscom — Relatório de Mercado de TI, 2023
  • Centro Universitário UNISOCIESC — Síndrome do Impostor no Mercado de TI (Souza, Morais, Kleine, Schreiber), Blumenau, 2022
  • Datafolha — Percepção sobre representatividade no setor público, 2022
  • IBGE — PNAD e Estatísticas de Gênero: Indicadores Sociais das Mulheres no Brasil, 2023
  • McKinsey & Company — Women in the Workplace: Repairing the broken rung in technical roles, 2021
  • Ministério do Planejamento e Orçamento — Agenda Transversal Mulheres no PPA 2024–2027, Brasília, 2024
  • OCDE — Mulheres em Liderança no Setor Público, 2022
  • Revista Brasileira de Pós-Graduação — Mulheres e Trajetórias Científicas: A maternidade e as desigualdades de gênero, v.19, n.40, 2024
  • Rossiter, M. W. — The Matthew/Matilda Effect in Science. Social Studies of Science, 1993
  • Projeto Servidoras no Comando Digital — Plataforma ASCENDA / Programa Mulheres que Transformam a Tecnologia (MQTT)